Por que o preço da memória RAM está mais caro em 2026 e como a IA está influenciando isso

Quem está planejando montar um PC gamer, atualizar um notebook ou simplesmente adicionar mais memória a um computador já existente sentiu na prática o que os dados de mercado confirmam: a memória RAM ficou consideravelmente mais cara ao longo de 2025 e segue em tendência de alta em 2026.

Preço da memória RAM está mais caro em 2026

A causa principal não é uma crise de abastecimento pontual nem a inflação global. É uma mudança estrutural na indústria de semicondutores, impulsionada em grande parte pela demanda crescente por inteligência artificial.

Este artigo explica o que está acontecendo com o mercado de memória, por que a IA tem papel central nessa equação, quais são os efeitos práticos para consumidores e o que esperar para os próximos meses.

O que está por trás da alta no preço da memória RAM

Para entender o aumento dos preços, é preciso entender como funciona a cadeia de produção de memória DRAM, que é o tipo de memória utilizado nos módulos RAM de PCs, notebooks e servidores. O mercado global de DRAM é concentrado em três fabricantes principais: Samsung, SK Hynix e Micron. Juntas, essas empresas respondem por praticamente toda a produção mundial desse componente.

Essa concentração significa que as decisões estratégicas de apenas três companhias determinam a oferta global do produto. E em 2024 e 2025, as três fabricantes tomaram uma decisão parecida: priorizar a produção de memória de alta performance para servidores e aplicações de inteligência artificial em vez dos módulos convencionais voltados ao consumidor final.

A lógica financeira é direta. A memória HBM (High Bandwidth Memory), desenvolvida especificamente para as GPUs e processadores de IA usados em data centers, tem margem de lucro significativamente maior do que um módulo DDR5 para desktop. Quando a demanda por HBM disparou junto com o boom de IA, as fabricantes redirecionaram capacidade de produção para atender esse segmento mais lucrativo, reduzindo a oferta de memória convencional disponível para o mercado de consumo.

O resultado é uma pressão de preços que afeta simultaneamente os módulos DDR4 e DDR5 para PCs, a memória integrada em smartphones e os SSDs baseados em NAND flash, que compartilham parte da mesma cadeia de fabricação.

O papel da inteligência artificial na escassez de memória

A demanda por IA não é uma tendência passageira. Treinar grandes modelos de linguagem como os que estão por trás de assistentes como ChatGPT, Gemini e Claude exige hardware especializado que opera com quantidades massivas de dados em paralelo. Esse processamento paralelo exige memória com altíssima largura de banda, baixíssima latência e capacidade de operar sob carga contínua por longos períodos.

A memória HBM é o componente que viabiliza esse tipo de operação. Ela é empilhada diretamente sobre a GPU ou o processador de IA por meio de conexões de alta densidade, o que permite taxas de transferência de dados muito superiores às da memória convencional montada em módulos separados. Uma única GPU de IA de alto desempenho pode utilizar dezenas de gigabytes de HBM operando a centenas de gigabytes por segundo de largura de banda.

Com a corrida pela liderança em IA entre empresas como NVIDIA, AMD, Google, Microsoft e Amazon, a demanda por GPUs de data center e, por consequência, por HBM cresceu em ritmo que as fabricantes de memória simplesmente não conseguiram antecipar em capacidade de produção. A SK Hynix, que é a principal fornecedora de HBM para a NVIDIA, operou com praticamente toda sua capacidade de HBM comprometida por contratos de longo prazo com clientes de IA durante boa parte de 2025.

Essa pressão sobre a HBM se propaga para o restante do mercado de memória porque a fabricação de HBM usa as mesmas linhas de produção que fariam DRAM convencional. Cada wafer de silício destinado à produção de HBM é um wafer que não produz módulos DDR5 para o mercado de consumo.

Quanto os preços subiram e onde estão em 2026

Os números ilustram a extensão do movimento. Contratos de preço de memória DRAM fecharam 2025 com aumentos de até 171,8% em comparação ao ano anterior em determinados segmentos. Para o consumidor final, isso se traduz em módulos de memória mais caros nas prateleiras e em dispositivos mais caros na origem.

Um módulo de 64 GB de DRAM, por exemplo, passou de aproximadamente 255 dólares no terceiro trimestre de 2025 para cerca de 450 dólares no quarto trimestre, um salto de quase 75% em menos de seis meses. Projeções de analistas da Counterpoint Research indicam que esse valor pode atingir 700 dólares no decorrer de 2026, com cenários mais pessimistas não descartando a marca de 1.000 dólares no mesmo período.

Para módulos DDR5 de 32 GB, mais comuns no mercado de consumo para PCs gamers e workstations de entrada, a tendência seguiu a mesma direção, com preços médios subindo progressivamente ao longo dos últimos trimestres e sem sinais claros de reversão no curto prazo.

A memória NAND flash, usada em SSDs e no armazenamento interno de smartphones, também acompanhou esse movimento. A pressão sobre a cadeia de semicondutores afeta múltiplos tipos de memória ao mesmo tempo, tornando o impacto mais amplo do que em ciclos de alta anteriores, que costumavam ser mais segmentados.

Impacto nos preços de PCs, notebooks e smartphones

A alta nos preços dos componentes de memória não fica contida no mercado de módulos avulsos. Ela se propaga diretamente para o custo de produção de praticamente todos os dispositivos eletrônicos que utilizam memória, o que na prática significa quase tudo.

PCs gamers e desktops

Para quem está montando ou atualizando um PC gamer em 2026, a memória representa uma parcela do orçamento total significativamente maior do que era dois anos atrás. Um kit de 32 GB DDR5 de boa velocidade, que era uma compra razoavelmente acessível no início de 2024, exige um investimento consideravelmente maior no cenário atual.

Fabricantes de PCs completos já sinalizaram aumentos de preço nos modelos de entrada e intermediários, com projeções de reajuste de até 8% em algumas linhas de produto. Para quem monta o próprio PC comprando peças separadamente, o impacto é ainda mais direto, sem a diluição que acontece quando o custo se distribui por toda a estrutura de um produto acabado.

Notebooks

O segmento de notebooks é particularmente sensível à alta da memória porque a maioria dos modelos modernos utiliza memória soldada diretamente na placa-mãe, sem possibilidade de substituição posterior. Isso significa que a decisão de quanto RAM comprar precisa ser tomada na aquisição do equipamento, e a diferença de preço entre configurações com mais ou menos memória tende a aumentar junto com o custo do componente.

Fabricantes que tentam manter preços competitivos podem optar por reduzir as configurações de memória padrão nas versões de entrada, transferindo o custo para o consumidor que precisar de mais capacidade.

Smartphones

No mercado de smartphones, o impacto da alta na memória DRAM e NAND se traduz em pressão sobre as margens dos fabricantes ou em repasse ao preço final. Os modelos de entrada, que já operam com margens mais apertadas, são os mais vulneráveis a cortes de especificação ou a aumentos de preço para compensar o custo maior dos componentes.

Os modelos premium, onde o custo de memória representa uma fração menor do preço total, absorvem o impacto com mais facilidade, mas o consumidor ainda sente o reflexo em preços de lançamento mais elevados do que em ciclos anteriores.

Por que essa situação pode durar mais do que o esperado

A alta no preço da memória RAM não é o tipo de problema que se resolve rapidamente. Expandir a capacidade de produção de semicondutores exige construir novas fábricas ou ampliar as existentes, um processo que leva de três a cinco anos entre o anúncio do investimento e a operação em plena capacidade.

As três principais fabricantes de DRAM anunciaram investimentos em expansão de capacidade, mas esses projetos não produzem resultados imediatos. No curto e médio prazo, a oferta de memória convencional para o mercado de consumo continuará limitada pela concorrência com a demanda de IA por HBM e pelos contratos de longo prazo que as fabricantes firmaram com clientes corporativos.

Há também um fator de comportamento de mercado a considerar. As fabricantes aprenderam com os ciclos de queda de preço que marcaram a indústria de memória em períodos anteriores, quando a superprodução derrubou as margens por anos consecutivos. A tendência atual é de gestão mais conservadora da oferta, o que reduz a probabilidade de uma queda abrupta de preços mesmo quando a capacidade de produção eventualmente for ampliada.

O que o consumidor pode fazer diante dessa situação

Para quem precisa de memória agora, a recomendação mais prática é não postergar indefinidamente a compra esperando uma queda de preços que os analistas de mercado não preveem no curto prazo. Comprar cedo, dentro do orçamento disponível, tende a ser mais vantajoso do que esperar por um cenário de preços que pode não se concretizar nos próximos meses.

Para quem está planejando a montagem de um PC novo, vale priorizar plataformas que permitam a expansão futura de memória. Escolher uma placa-mãe com slots adicionais livres e começar com uma configuração menor de RAM para ampliar depois pode ser uma estratégia mais econômica do que comprar toda a capacidade desejada de uma vez no momento de maior pressão de preços.

Para quem está avaliando a compra de um notebook, verificar se o modelo escolhido possui memória soldada ou em slot é um critério relevante. Modelos com memória em slot permitem upgrade futuro, o que dá mais flexibilidade para comprar inicialmente com menos RAM e ampliar quando os preços eventualmente se normalizarem.

Conclusão

O aumento no preço da memória RAM em 2026 é o resultado visível de uma transformação mais profunda na indústria de semicondutores. A demanda por inteligência artificial criou um vetor de consumo de memória de alta performance que compete diretamente com a produção de componentes convencionais, e as fabricantes responderam priorizando o segmento mais lucrativo. O consumidor final ficou em segundo plano nessa equação.

Esse cenário não tem uma data de reversão definida. O planejamento cuidadoso, tanto na escolha dos componentes quanto no momento da compra, é a ferramenta mais prática disponível para quem precisa montar, atualizar ou comprar dispositivos que dependem de memória RAM no cenário atual.

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