Assassin’s Creed Black Flag Resynced é criticado por preço alto de DLCs no Brasil

Assassin’s Creed Black Flag Resynced chega bem avaliado pela crítica, mas divide jogadores por cobrar caro em conteúdos extras já no lançamento.

Assassin's Creed Black Flag Resynced chega bem avaliado pela crítica, mas divide jogadores por cobrar caro em conteúdos extras

Um remake elogiado que virou alvo de reclamações

Assassin’s Creed Black Flag Resynced foi lançado em 9 de julho de 2026 e, em poucas horas, se transformou em um dos assuntos mais comentados da comunidade gamer, mas não exatamente pelos motivos que a Ubisoft esperava. Enquanto a crítica especializada elogiou o remake com notas altas em plataformas como Metacritic e OpenCritic, os jogadores comuns levantaram um problema recorrente nos últimos lançamentos da publisher francesa, a quantidade e o preço das microtransações disponíveis já no primeiro dia, valores que no Brasil chamam ainda mais atenção pela conversão em reais.

O caso chama atenção porque não se trata de um jogo mediano tentando compensar a qualidade com cobranças extras. Pelo contrário, o remake do clássico de 2013 recebeu comentários muito positivos por sua reconstrução gráfica na engine Anvil mais recente, com iluminação por traçado de raios e áudio em Dolby Atmos. Isso torna a controvérsia ainda mais visível, já que o contraste entre “jogo bem feito” e “cobrança excessiva” ficou nítido para quem comprou o título logo na estreia.

Quanto custa Black Flag Resynced no Brasil

O ponto central da polêmica está nos números. Nas lojas digitais brasileiras, como a Xbox Store e a Ubisoft Store, a edição padrão do jogo é vendida por R$ 299,95, valor considerado dentro do padrão de mercado para um remake dessa magnitude em 2026. A edição deluxe, que já inclui dois pacotes de conteúdo extra, custa R$ 348,95, enquanto a edição de colecionador, com itens físicos como estatueta de Edward Kenway, steelbook exclusivo e mapa de tecido, chega a ficar perto de R$ 1.000, dependendo da loja e da disponibilidade de estoque.

O problema aparece quando se soma o valor de todos os pacotes de conteúdo adicional oferecidos separadamente na loja interna do jogo assim que ele é iniciado. Convertendo os valores praticados nas lojas brasileiras, os pacotes disponíveis no lançamento ficam, em média, assim:

  • Pacote de Personagem Mestre Assassino, por cerca de R$ 49,99
  • Pacote Naval Mestre Assassino, também por cerca de R$ 49,99
  • Pacote de Personagem Hellfire, por cerca de R$ 49,99
  • Pacote Naval Hellfire, por cerca de R$ 49,99
  • Pacote de Personagem Sea Serpent, por cerca de R$ 49,99
  • Pacote de Recursos, por cerca de R$ 24,99

Somando todos esses itens, o valor combinado das DLCs fica próximo de R$ 275, quase o preço integral da edição padrão do jogo, vendida por R$ 299,95. Ou seja, quem quiser desbloquear tudo o que aparece na loja interna no primeiro dia acaba gastando quase o dobro do valor pago pelo jogo em si.

Vale notar que boa parte desse conteúdo é cosmético, como trajes para Edward Kenway, itens visuais para o navio Gralha e enfeites para a tripulação. Ainda assim, jogadores relataram nos fóruns da Steam que alguns itens oferecem vantagens de jogabilidade, o que reforça a sensação de que a Ubisoft está monetizando aspectos que vão além da simples personalização estética.

O choque entre a edição deluxe e as lojas internas

Um dos pontos mais repetidos nas reclamações envolve justamente quem comprou a edição deluxe, que no Brasil sai por R$ 348,95 e já inclui o Pacote de Personagem Mestre Assassino e o Pacote Naval Mestre Assassino. Segundo relatos de usuários na comunidade Steam do jogo, mesmo depois de adquirir essa versão mais completa, a loja interna continuava exibindo o equivalente a mais de R$ 400 em conteúdo adicional ainda não desbloqueado, criando a impressão de que sempre existe mais um pacote para comprar.

Esse tipo de experiência é especialmente sensível em um jogo totalmente single player, sem modo multiplayer, o que reduz a justificativa comercial mais comum usada pela indústria para sustentar microtransações constantes. Comparado com outros remakes recentes de grandes estúdios, que costumam limitar o conteúdo pago a expansões de história ou passes de temporada, o modelo adotado em Black Flag Resynced foi visto por parte do público como mais agressivo do que o necessário para um título estritamente solo.

Outras queixas que se somaram à polêmica

Além do valor das DLCs, os usuários apontaram outros pontos que, juntos, alimentaram a repercussão negativa nas primeiras 24 horas após o lançamento:

Cutscenes limitadas a 30 quadros por segundo

Mesmo rodando em consoles de geração atual e em PCs com hardware potente, as cenas cinematográficas do jogo foram travadas em 30 FPS, uma limitação técnica que soou como retrocesso para quem já se acostumou com remakes rodando a 60 quadros por segundo em qualquer situação, embora a jogabilidade em si conte com modo de 60 FPS no PS5, PS5 Pro e Xbox Series X.

Propaganda de Assassin’s Creed Shadows dentro dos menus

Jogadores também reclamaram de anúncios promocionais para Assassin’s Creed Shadows aparecendo dentro dos menus internos do próprio Black Flag Resynced, incluindo mensagens pedindo para abrir outro jogo apenas para visualizar estatísticas de itens, uma prática pouco comum mesmo dentro do catálogo da Ubisoft.

Dependência do Ubisoft Connect

A obrigatoriedade de manter o aplicativo Ubisoft Connect aberto e conectado, mesmo para uma experiência majoritariamente offline, voltou a ser citada como um incômodo, especialmente depois de relatos isolados de perda de pontos acumulados na plataforma.

Black Flag Resynced entra em uma lista crescente de lançamentos recentes da Ubisoft marcados por polêmicas de monetização

O que a crítica especializada disse sobre o jogo

É importante separar dois pontos, a qualidade do remake em si e a forma como ele é comercializado. No Metacritic e no OpenCritic, Assassin’s Creed Black Flag Resynced recebeu avaliações elogiosas, destacando o combate reconstruído com mais ênfase em aparar e abater inimigos, o sistema naval aprimorado com novos modos de disparo e a atualização visual do Caribe recriado na engine Anvil. Vários analistas descreveram o título como um dos melhores remakes lançados nos últimos anos, reforçando que a base do jogo original de 2013 continua envelhecendo bem.

Esse contraste é o que torna o caso interessante do ponto de vista de mercado. Não é um jogo malfeito tentando se sustentar com cobranças extras, é um remake tecnicamente competente que, na prática, decidiu testar até onde o público aceita pagar por conteúdo cosmético e itens com pequenas vantagens, logo no lançamento, com preços que no Brasil pesam ainda mais no bolso considerando a conversão cambial.

Vale a pena comprar Black Flag Resynced agora?

Para quem quer apenas revisitar a campanha de Edward Kenway com gráficos atualizados, a resposta tende a ser positiva. A edição padrão, por R$ 299,95, sozinha entrega a experiência completa da campanha principal, incluindo o novo conteúdo de história com Barba Negra e Stede Bonnet, sem necessidade de comprar nenhum dos pacotes extras para terminar o jogo.

O que muda na prática é a experiência dentro dos menus, que vai continuar empurrando ofertas de DLC durante toda a jornada, um incômodo estético e comercial, mas não uma barreira para progressão na campanha. Quem for sensível a esse tipo de interface comercial dentro do jogo pode preferir esperar por uma possível edição completa mais barata no futuro, prática comum em remakes da Ubisoft depois de alguns meses de mercado.

Já para quem pretende comprar qualquer coisa além da edição padrão, o recomendado é avaliar com cuidado se os itens cosméticos realmente justificam o valor, considerando que somados eles chegam perto de R$ 275, próximo do preço do próprio jogo base. Nesse cenário, a edição deluxe, por R$ 348,95, surge como o meio-termo mais equilibrado, já que inclui dois dos principais pacotes sem exigir compras adicionais logo de cara, saindo mais barata do que comprar tudo separadamente.

O que esperar da Ubisoft daqui para frente

O episódio de Black Flag Resynced entra em uma lista crescente de lançamentos recentes da Ubisoft marcados por polêmicas de monetização, o que já gerou debate sobre até que ponto esse modelo comercial pode continuar sendo aplicado sem afetar a reputação da empresa junto ao público mais fiel da franquia. Se a repercussão negativa se mantiver forte nas próximas semanas, não seria surpresa ver a publisher ajustando a exposição das lojas internas ou reduzindo o número de pacotes vendidos separadamente, como já aconteceu em outros títulos após pressão da comunidade.

Por ora, o que fica claro é que a qualidade técnica do remake não está sendo colocada em xeque, mas sim a estratégia comercial escolhida para monetizá-lo logo nas primeiras horas após o lançamento, com valores que, convertidos para o mercado brasileiro, tornam a polêmica ainda mais sensível ao bolso do consumidor.


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