O Nintendo Switch 2 chegou em junho de 2025 com mudanças que vão muito além de um simples upgrade visual, e entender o que realmente evoluiu pode definir se essa é a compra certa para você.

A Nintendo tem um histórico peculiar com seus lançamentos. Raramente a empresa aposta em rupturas radicais; ela prefere iterar com precisão cirúrgica, aperfeiçoando o que já funciona sem abandonar o que conquistou décadas de fãs. Com o Nintendo Switch 2, esse padrão se manteve, mas com uma diferença importante: a magnitude das mudanças desta vez é significativamente maior do que nas gerações anteriores. Comparar o Switch 2 ao Switch original de 2017 é, em muitos aspectos, comparar dois momentos distintos da indústria de jogos portáteis.
Design: maior, mais sólido e com detalhes que fazem diferença no Nintendo Switch 2
A primeira coisa que salta aos olhos é o tamanho. O Switch 2 mede 11,4 cm de altura por 27,2 cm de largura, com uma tela de 7,9 polegadas, enquanto o Switch original contava com uma tela de 6,2 polegadas. Não é só uma diferença numérica: na prática, significa uma experiência visual visivelmente mais imersiva em modo portátil, especialmente em jogos com ambientes detalhados ou textos de interface.
O kickstand, aquela peça que tantas vezes frustrou os donos do Switch original por ser frágil e fácil de quebrar, foi completamente repensado. O Switch original tinha um kickstand frágil, que frequentemente quebrava, além de problemas notórios com o slot de cartão SD. O Switch 2 resolve esses pontos ao trazer uma estrutura mais robusta e um encaixe revisado para o cartão de memória.
O console mantém a mesma filosofia híbrida, ou seja, funciona tanto conectado à TV quanto em modo portátil ou de mesa, mas a construção geral transmite uma sensação de produto mais premium. A espessura permaneceu praticamente a mesma do Switch original, o que é um feito considerável para um console com tela muito maior e hardware muito mais potente.
Joy-Con 2: o maior salto de controle desde o lançamento do Switch
Se há uma área onde o Switch 2 representa uma evolução qualitativa genuína, é nos controles. Os Joy-Con 2 chegaram com mudanças que afetam diretamente a forma como os jogos são sentidos.
Fixação magnética no lugar do trilho deslizante
Os Joy-Con 2 utilizam ímãs potentes no lugar do sistema de trilho do modelo anterior. Eles se encaixam com um “snap” audível e tátil, ficando firmemente presos ao console durante o jogo em modo portátil. Para quem sofreu com Joy-Cons que soltavam acidentalmente durante partidas, essa mudança é imediata e perceptível.
Mouse mode: um conceito inédito em consoles portáteis
Essa é possivelmente a adição mais ousada do Joy-Con 2. Os controles podem ser operados como um mouse ao serem deslizados sobre superfícies planas. Nesse modo, o botão de ombro funciona como um clique de mouse, o que permite, em jogos como Metroid Prime 4: Beyond, usar um Joy-Con como mouse para mira precisa enquanto o outro permanece como controle tradicional para movimento.
Ambos os Joy-Con 2 podem ser usados simultaneamente em modo mouse, abrindo possibilidades inéditas de controle, como usar as duas mãos para manipular dois cursores ao mesmo tempo. Isso cria um cenário inédito no universo dos consoles: a precisão de um mouse de PC em um dispositivo portátil. Jogos de estratégia, shooters em primeira pessoa e títulos que antes seriam impensáveis em um console portátil ganham uma nova perspectiva.
Tamanho, sticks e botões revisados
Os sticks analógicos são maiores, os botões SL e SR foram ampliados para oferecer mais conforto ao usar um único Joy-Con, e os gatilhos também foram reprojetados. Quem usou os Joy-Cons originais por horas seguidas conhece bem o desconforto que os controles menores causavam. O Switch 2 endereça esse problema de forma direta.
Tela: LCD maior, mas com recursos que o OLED não tinha
A nova tela de 7,9 polegadas suporta resolução de 1080p (1920×1080), além de HDR10 e taxa de atualização variável de até 120 Hz em modo portátil. O suporte a VRR (Variable Refresh Rate) via G-Sync da Nvidia é especialmente relevante: ele elimina o “screen tearing” e garante que a imagem permaneça fluida mesmo quando a taxa de quadros flutua entre cenas mais ou menos exigentes.
Vale destacar uma nuance importante aqui. O Nintendo Switch OLED tinha uma tela com qualidade de imagem superior em termos de contraste e pretos absolutos, justamente por ser OLED. O Switch 2 usa um painel LCD, mas compensa com tamanho maior, resolução Full HD e suporte a 120 Hz, recursos que o OLED não oferecia. É uma troca legítima que favorece diferentes tipos de jogadores.

Hardware e desempenho: uma geração à frente
O chip que muda tudo
O Switch 2 utiliza um chip customizado Nvidia T239 com GPU de arquitetura Ampere, trazendo 1.536 CUDA cores com clock de 1.007 MHz em modo docked e 561 MHz em modo portátil. O Switch original operava com uma GPU de arquitetura Maxwell, uma diferença de geração substancial.
Segundo a própria Nvidia, o Switch 2 oferece cerca de dez vezes mais desempenho gráfico em comparação ao Switch original. Na prática, isso significa que o console consegue rodar jogos que antes eram exclusivos de PCs high-end ou consoles de última geração com qualidade visual comparável.
DLSS e ray tracing chegam aos handhelds
O Switch 2 é o primeiro console portátil a contar com DLSS (Deep Learning Super Sampling) e ray tracing acelerados por hardware, tecnologias que antes eram exclusivas de GPUs para desktop. O DLSS permite que o console renderize imagens em resolução menor e as reconstrua via inteligência artificial, resultando em qualidade visual próxima ao 4K em modo docked com muito menos esforço computacional. Isso é particularmente importante para manter a vida útil da bateria razoável mesmo com jogos visualmente exigentes.
Casos como o Street Fighter 6 já demonstraram que o Switch 2 consegue superar o Xbox Series S em desempenho justamente graças à implementação do DLSS.
Armazenamento e conectividade
O console traz 256 GB de armazenamento interno, um salto considerável em relação aos 32 GB do Switch original. A conectividade também evoluiu: o Switch 2 inclui Wi-Fi 6, Bluetooth 5.1, HDMI 2.1 e duas portas USB-C, uma na parte superior e uma na inferior.
GameChat: comunicação integrada ao console pela primeira vez
O GameChat permite iniciar conversas com amigos a qualquer momento pressionando o botão C no Joy-Con 2 direito, com suporte para chat de voz com até doze pessoas simultaneamente. Além disso, até quatro pessoas podem compartilhar telas e fazer videochamadas.
O Switch 2 tem microfone embutido capaz de captar a voz mesmo quando o jogador está sentado longe do console, e é compatível com uma câmera acessória vendida separadamente para videochamadas durante as partidas. É a resposta da Nintendo ao Discord e às funcionalidades sociais que os rivais já ofereciam há anos.
Compatibilidade retroativa: seu acervo continua válido
Um dos pontos mais importantes para quem já tem uma biblioteca de jogos no Switch original: o Switch 2 mantém compatibilidade retroativa com os jogos do Switch 1, e os títulos são executados via emulação, um método similar ao que o Xbox utiliza para sua retrocompatibilidade. Muitos títulos do Switch original ganham melhorias automáticas de resolução e desempenho ao rodar no hardware mais poderoso do Switch 2, mesmo sem atualizações específicas dos desenvolvedores.
Bateria: mais capacidade, mas com variáveis novas
O Switch 2 traz uma bateria de 5.200 mAh com um SoC mais eficiente e um sistema de resfriamento com câmara de vapor redesenhada. A Nintendo estima entre 2 e 6,5 horas de duração como referência aproximada. Os próprios desenvolvedores do console reconhecem que a variabilidade é ainda maior do que no Switch original, principalmente por conta de recursos como GameChat e ray tracing, que consomem energia adicional.
O que esperar do futuro do Switch 2
O Switch 2 foi lançado com uma proposta que vai além do hardware. A Nintendo sinalizou uma integração mais profunda com serviços online, jogos GameCube no catálogo do Nintendo Switch Online e uma geração de títulos construída para aproveitar DLSS e ray tracing desde a concepção.
O mouse mode dos Joy-Con 2 é talvez o elemento mais promissor a longo prazo. Conforme mais desenvolvedores explorarem essa funcionalidade, é razoável esperar portes de jogos de PC que antes seriam tecnicamente inviáveis em um console portátil, incluindo títulos de estratégia em tempo real, simuladores e RPGs com interfaces complexas.
A pergunta sobre se o Switch 2 vai replicar o sucesso histórico do Switch original, que vendeu mais de 150 milhões de unidades, ainda está em aberto. Mas com um hardware genuinamente atual, controles que abrem novas categorias de gameplay e uma biblioteca retrocompatível desde o primeiro dia, a Nintendo construiu um produto que respeita quem já estava na plataforma e atrai quem ficou de fora por oito anos.



