Filme live-action de Elden Ring: elenco, data de estreia e tudo que você precisa saber

O universo das Lands Between está chegando ao cinema, e o filme live-action de Elden Ring promete ser uma das adaptações de jogos mais ambiciosas da história.

live-action de Elden Ring

Como tudo começou: de jogo do ano ao cinema

Em junho de 2024, Hidetaka Miyazaki, diretor da FromSoftware e criador de Elden Ring, declarou publicamente que estaria aberto a uma adaptação do jogo para outras mídias, desde que contasse com um “parceiro muito forte”. A declaração foi o gatilho para uma corrida silenciosa nos bastidores de Hollywood.

O cineasta Alex Garland, conhecido pelos filmes Ex Machina, Annihilation e Civil War, já era fã declarado do jogo há anos. Quando Noah Sacco, chefe de filmes da A24, visitou Garland e o viu jogar Elden Ring, a ideia de uma adaptação cinematográfica ganhou corpo de forma quase orgânica. O que veio a seguir foi um dos movimentos mais incomuns da indústria: Garland escreveu, por conta própria, um roteiro de 160 páginas acompanhado de 40 páginas de imagens, exclusivamente para convencer a FromSoftware e a Bandai Namco de que o projeto merecia ser feito e que ele era o nome certo para conduzi-lo.

A aposta funcionou. Sacco e Garland viajaram juntos ao Japão, apresentaram o material aos criadores do jogo, e o acordo foi fechado. Em maio de 2025, a A24 anunciou oficialmente a produção do filme.

O jogo que originou tudo: entendendo Elden Ring

Para compreender a dimensão do que está sendo adaptado, é preciso entender o que Elden Ring representa dentro da indústria. Lançado em fevereiro de 2022 pela FromSoftware, o jogo foi desenvolvido sob a direção criativa de Hidetaka Miyazaki com o suporte de George R. R. Martin, o autor por trás de Game of Thrones, que escreveu a mitologia que sustenta o universo narrativo do jogo.

O resultado foi um RPG de ação em mundo aberto que redefiniu os padrões do gênero. Desde seu lançamento, o jogo ultrapassou 30 milhões de cópias vendidas no mundo inteiro e acumulou mais de 400 prêmios de Jogo do Ano, tornando-se um dos títulos mais aclamados da história dos games. Sua expansão, Shadow of the Erdtree, lançada em 2024, também foi recebida com grande entusiasmo pela crítica e pelos jogadores.

A premissa do jogo é densa e propositalmente fragmentada. Nas Lands Between, uma terra onde o poderoso Elden Ring foi destruído, seus fragmentos, chamados de Grandes Runas, estão espalhados pelos semideuses corrompidos que governam diferentes regiões. O jogador assume o papel de um Maculado, um guerreiro sem graça divina que foi banido desta terra e agora retorna com o objetivo de reunir as Grandes Runas, restaurar o Elden Ring e se tornar o Lorde Prístino.

O que torna Elden Ring único narrativamente é exatamente o que o torna desafiador de adaptar: a história não é entregue diretamente. O lore é revelado em descrições de itens, ambientações, diálogos fragmentados e silêncios carregados de significado. Não há um protagonista central com nome ou rosto definido. Cada jogador constrói sua própria interpretação desse mundo.

Elden Ring

Como o filme se conecta ao universo do jogo

A conexão entre o filme e o jogo vai além da ambientação. George R. R. Martin, que construiu a mitologia das Lands Between junto com Miyazaki, está confirmado como um dos produtores do projeto. Isso garante que o universo ficcional do filme dialogue diretamente com a base criada para o jogo, sem que seja uma reinterpretação livre e desconectada do material original.

Segundo o sinopse divulgada, o filme parte da premissa central do jogo: o Elden Ring foi destruído, seus fragmentos estão nas mãos de semideuses corrompidos, e em meio a guerras e criaturas grotescas, o Maculado precisa traçar um caminho para restaurar a ordem. Entre pactos e traições, a jornada rumo ao trono de Lorde Prístino se revela progressivamente.

A escolha de Alex Garland para adaptar essa narrativa não é por acaso. Seu histórico com histórias de ambiguidade moral, atmosfera carregada e tensão filosófica, como em Ex Machina e Annihilation, é diretamente compatível com o tom das Lands Between. Diferente de um blockbuster convencional que simplificaria o lore para o grande público, a tendência é que Garland respeite a opacidade intencional do universo do jogo.

Vale destacar ainda que Garland acumula mais de 4.000 horas jogadas em Elden Ring, distribuídas em sete jogatinas completas. Esse nível de imersão é raro entre cineastas que adaptam jogos e representa uma das garantias mais concretas de que o material será tratado com seriedade criativa.

Data de estreia e onde será exibido

O filme está confirmado para estrear nos Estados Unidos em 3 de março de 2028. O projeto será lançado em formato IMAX, o que indica uma ambição visual considerável, coerente com a escala épica das paisagens e criaturas do jogo original.

As filmagens tiveram início em abril de 2026 no Reino Unido, incluindo locações na Escócia. Cenas adicionais estão previstas para ser rodadas na Islândia durante o verão de 2026, uma escolha de locação que faz bastante sentido para quem conhece os cenários das Lands Between. A produção deve durar cerca de 100 dias de filmagem principal, com um orçamento declarado como bem superior a 100 milhões de dólares, tornando este o projeto mais caro da história da A24.

Elenco confirmado

O filme reúne um grupo expressivo de atores com trajetórias sólidas no cinema e nas séries internacionais. Nenhum personagem específico foi atribuído publicamente a cada ator até o momento, o que mantém o mistério sobre quais figuras do jogo aparecerão na tela.

Os nomes confirmados são:

Kit Connor, que trabalhou com Garland no filme Warfare e ganhou reconhecimento internacional com a série Heartstopper. Cailee Spaeny, que esteve em Civil War, também de Garland, e em Alien: Romulus. Ben Whishaw, conhecido por sua participação na franquia 007 como Q e pela série Black Doves. Nick Offerman, ator versátil que ganhou projeção recente com a série The Last of Us. Tom Burke, que esteve em Furiosa: A Mad Max Saga e Black Bag. Havana Rose Liu, que apareceu em Bottoms e Tuner. Sonoya Mizuno, que já havia trabalhado com Garland em Ex Machina. Emma Laird, colaboradora de Garland em 28 Years Later: The Bone Temple. Jonathan Pryce, veterano com décadas de carreira no cinema e teatro britânico. Peter Serafinowicz, ator e roteirista com presença marcante em produções britânicas. Completam o elenco anunciado Ruby Cruz, John Hodgkinson e Jefferson Hall.

A recorrência de atores que já trabalharam com Garland em projetos anteriores é um sinal claro de que o diretor está construindo uma equipe de confiança para um projeto que ele mesmo considera o mais ambicioso de sua carreira.

Elden Ring

A produtora por trás do projeto

A A24 é o estúdio responsável pela produção e distribuição do filme, em colaboração com a Bandai Namco Entertainment, distribuidora e coprodutora do jogo original. A parceria com a DNA Films, produtora britânica de Andrew Macdonald e Allon Reich, completa o time de produção executiva.

A A24 construiu sua reputação ao longo de mais de uma década apostando em projetos fora do padrão convencional de Hollywood, com filmes como Moonlight, Hereditary, Midsommar, Everything Everywhere All at Once e Civil War. Sua curadoria editorial é reconhecida por priorizar integridade criativa sobre fórmulas seguras, o que a coloca em uma posição singular para adaptar um jogo cujo principal apelo é justamente a recusa às convenções narrativas mais simples.

Para a A24, este é o projeto mais caro de toda a sua história, superando Civil War em ambição e orçamento. É um movimento calculado de expansão para o território dos grandes filmes de fantasia, segmento que ainda tem poucos exemplos de qualidade consolidada no cinema recente.

Os produtores listados são Peter Rice, Andrew Macdonald, Allon Reich, George R. R. Martin e Vince Gerardis. A presença de Martin como produtor reforça o laço direto com a mitologia do jogo e sinaliza que o filme não está sendo desenvolvido como produto secundário, mas como uma extensão legítima desse universo.

O que esperar e por que este filme importa

A adaptação de Elden Ring chega em um momento em que o mercado de filmes baseados em jogos começa a amadurecer. The Last of Us na televisão e algumas produções cinematográficas recentes mostraram que o público está disposto a receber essas histórias com seriedade, desde que o material seja tratado à altura.

O desafio específico de Elden Ring é maior do que o da maioria. Um jogo com protagonista sem rosto, lore deliberadamente opaco e estrutura narrativa não linear não tem um caminho óbvio para o cinema. Garland precisará criar uma história que funcione de forma autônoma para quem nunca tocou no jogo, sem trair a essência para os milhões de fãs que dedicaram centenas de horas às Lands Between.

Se o histórico de Garland, a seriedade com que a A24 trata seus projetos e o envolvimento direto de George R. R. Martin são indicativos do que está por vir, há razões concretas para expectativa. As locações na Escócia e na Islândia reforçam a intenção de criar um visual épico e singular, coerente com os cenários que definiram o imaginário do jogo.

Março de 2028 está marcado no calendário, e o mundo dos games vai observar de perto se este será o filme que finalmente eleva as adaptações de jogos a um patamar comparável ao que O Senhor dos Anéis fez pela fantasia literária há mais de duas décadas.


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